quarta-feira, 28 de maio de 2008

VIII

Para Yuri Oval

Concordei com minha virtude mais banal e corri para o longe mais distante, naquela lembrança de todo o som que conseguimos criar à partir dos amplificadores exacerbados e microfonias completamnte externas, para que todos ali presentes, naquela jam espacial, conseguissem sentir tesão ao escutar.
Nossa música sem pretenção alcançou as estrelas, que permaneciam escondidas no céu azul e ao anoitecer foram pipocando uma após a outra, sem dificuldades.
Trocando experiências pudemos descordar da negação e juntar a força Fantasma e o Cosmos mais poderosos, em minutos de guitarras e olhares dispares que sacavam rapidamente aquilo que queríamos naquele instante eterno, que obviamente se repetirá.
As risadas limpas apenas fizeram crescer minha admiração e sem medo hoje posso dizer que, realmente, não há nada melhor do que estar em amigos fazendo algo de bom, que para muitos nada significaria, a não ser uma tola imbromação de mi - fá - sol, mas que para nós significou muito mais... uma elevação da alma e do pensamento.
Concordo contigo, caro amigo... somos completamente capazes para aquilo que precisamos para subir, subir e nunca apagar.

terça-feira, 27 de maio de 2008

VII

Para as garotas escrotas com quem me envolvi.

Não lamentei mais as perdas, lamentei apenas não me sentir confortável em devidas situações. Vontade de ter garotas belas, sensuais e quentes não me anima como antes... talvez pelo fato de algumas garotas terem se mostrado escrotas o bastante para que eu não as desejasse mais.
O fato da verdade estar um punhado de quilometros de mim me desanimou ainda mais, mas eu ainda acreditei ( e acredito! ), porém foi difícil e complicado conviver com isso... Então fui correndo atrás de aventuras, procurando me envenenar cada vez mais e desaguar por aí.
Sabia que em algum momento iria me encontrar e ameaçaria-me a perder o controle.
Eu já havia morrido tantas vezes que não tive dúvidas, nem vontade de levantar, precisei tanto de certas pessoas em determinadas horas da minha vida... e agora me alterno entre neblinas e raios, meu bem... eu não vou parar!

Eu então parti, trotando no caminho de núvens coloridas do meu pensamento. Guardei meu dinheiro para viver conforme certas músicas, e essas foram esterilizadas em alvejante, antes de serem injetadas em minha corrente sanguínea. Fui alvejado por garotas, pequenas crianças que apenas me chatearam. Umas queriam apenas sexo, outras apenas nada.

Hoje, então, sou meu pensamento negro, jogado para fora do meu corpo... e minha alma apodrece no limbo das palavras que mancharam para sempre meu corpo ao se encaixarem em meu órgão.
Aquelas palavras ditas em meus ouvidos eram ratos e baratas, corroendo minhas virtudes... sim, eu fui o que não sou... e hoje luto contra esses movimentos traidores. Pode-se de longe sentir minha dor, como se fosse uma doença terminal.
Sinto nojo daquilo tudo que amei, mas não abomino, apenas pela beleza daqueles olhos, lábios, seios, pernas e bundas corpos que ainda receberão muitos jatos de mentira e enganação.

Eu não valho nada, mas nunca disse que valia alguma coisa.

domingo, 4 de maio de 2008

VI

Para Vane.

Então ela se negou a deixar de lado, afinal era uma promessa. Uma forte sensação diferente. Nem ela e nem eu soubemos explicar a reação rápida de nossos corpos. A ligação foi direta, a partir do primeiro segundo.
Todos aqueles dias de incerteza foram lavados em poucas horas com palavras sobre qualquer coisa, cócegas, sorrisos, carinhos e abraços. Um amor que me fez viajar bem alto. Um abismo confortável de se cair, abismo de flores. Pois o amor ainda existe enquanto guardado.
Muito longe do constrangedor silêncio, nos tornamos um só apenas na junção dos nossos corpos... em uma noite, a melhor noite.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

V

As palavras se desencaixaram e o fim chegou um pouco mais além do que ela acreditou.
Recarregou sua arma e atirou verdades e realismos. Sim, a dor vai passar...
As minhas notícias já não mais tocam seu sentimento... seus ouvidos traiçoeiros. Se eu precisar de uma verdade, não exitarei em pedir para outra pessoa antes. Eu fui torto e errado, mas estive lá antes. Fora do chão, pra dentro de nós dois, pra fora de nós dois, pra dentro do esquecimento.

Não pega nada, não pega em mim.

terça-feira, 29 de abril de 2008

IV

Agora pouco tive medo. Medo de fazer o que fiz. As curvas me levaram a um precipício de tormento. Tudo estava tão confuso quanto as guitarras de milk it. Cadeados me trancaram no sonho da esperança. Um sonho em vão. Fraco e desfalecido, meu corpo entrou em chamas de derrota, perda, e uma desconfortante sensação de que nada valeu a pena... Mesmo que eu quisesse mudar isso.
Suas palavras inestimáveis me deixaram cada vez pior. Não vou entender nunca o que realmente aconteceu. Um turbilhão de verdades. Uma cura temporário que me manteve acordado, mas de efeito efêmero. Foi uma droga vencida. Um raio de segredos mudos em seus ouvidos medrosos e sínicos, intrigantes até demais... Que agora faz parte do meu passado.

III

Ela se foi em uma verdade só. Achou realmente que tudo aquilo que pensou e pensa está correto e eu, de alguma forma, devo perceber. O meu limíte, se já não chegou, está próximo.
Então, ela pediu licença e saiu, para nunca mais aquela noite. Ela é meu inferno quando não mais tenho forças para acompanhar seu pensamento.
Eu era um raio só, rachado numa tempestade de neve. E ela, querendo neve, teve o frio. Frio de minha espinha, frio de meus ossos... Da sensação de tê-la diminuindo em minha vista.
Destruição em massa daquilo que, porra, tão logo se iniciou, começou a explodir.
Perde-me por desculpas idiotas e nada me convence o contrário. Parte logo de uma vez! Vai Tarde! Tudo acabado entre nós!
Aqueles olhos me fazem tão bem, mas por apenas alguns minutos... Aqueles de minutos ao seu lado... Ela parece nem querer saber de mim. E NÃO, eu não entendo mesmo o que ela diz que não entendo. Vai doer... ô se vai... Mas me manterei de pé. Quem sabe eu mereça um diamante menos bruto. Na verdade, eu mereço risadas e palavras bobas, carinhos e preocupações com o que vai ser bom.
Eu fui embora aquela noite e nela repousei um último e fraco beijo. Foi triste. E será um cold turkey muito pior... Mas me manterei de pé.


"Cold turkey has got me on the run" - Lennon

sexta-feira, 25 de abril de 2008

II

Senti-me fraco. Sua otária então rolava audição adentro e a calma foi ficando fria. Tentei me acostumar com a sensação de estar triste...em vão. Eu não poderia ficar mais um minuto ali, naquele noturno lugar. Notícias ruins chegaram... Ela havia beijado uma boca inferior.Não pude aguentar a sensação de perda. De que vale tanto amor se não me queres mais - pensei naquele instante, escondendo lágrimas dela, que me observava de canto. Beijei Paulo em sua bochcecha direita e parti sem olhar pra trás. Mania certamente ficou preocupado, mas atendeu o meu pedido e não veio atrás de mim. Andei a Pres. Carlos Cavalcanti algumas quadras, no sentido contra os carros, que subiam em alta velocidade. O vento cortava minha face, congelando meu nariz. Sentei na calçada e fumei um cigarro atrás do outro... Mas eu realmente precisava de alguém pra conversar. Liguei para Paulo e logo ele apareceu com Ranghetti. Nós três fomos até o Largo procurar algo pra comer. Simplismente desabei palavras e lágrimas em cima dos meus caros irmãos. Falei de como eu me sentia auto-destrutivo e incapaz, que eu a tinha perdido para sempre. Chorar faz bem - dizia Ranghetti. Olhando o céu, minha única vontade era falar tudo, infinitamente tudo para ela. E foi o que fui fazer.
Logo a encontramos no caminho, estava com as amigas e então logo ficamos face to face. Desmoronei a verdade em cima daquele que é o olhar mais misterioso, a boca mais procurada, a ladra mais profunda de razão. Posso te dar um abraço? - ela perguntou. Então, aquela que nunca nada falava, começou a fazer cairem meteoros de verdades. Fui minguando, até quase sumir por completo. Pude ver que todos estavam errados. Eu estava completamente errado.